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Novo El Niño em formação deve superar o último ‘superfenômeno’ e ameaça o Acre com seca extrema
Pesquisadores alertam que nova manifestação climática ganhará força a partir de agosto, superando o El Niño de 2023/2024, considerado o mais forte em 70 anos na região.

Por Portal AcreNews
O Acre pode enfrentar nos próximos meses um dos cenários climáticos mais desafiadores de sua história recente. Cientistas e pesquisadores ambientais emitiram um alerta urgente nesta quarta-feira (24): o novo fenômeno El Niño, que já está em processo de formação no Oceano Pacífico Equatorial, promete ser ainda mais intenso do que o registrado no biênio 2023/2024, período em que o estado viveu uma estiagem severa e recordes de calor.
De acordo com projeções de órgãos meteorológicos internacionais, há mais de 60% de probabilidade de que este evento se desenvolva com forte intensidade, estendendo seus efeitos até o final de 2026. Para a Amazônia Sul-Ocidental, e especialmente para o território acreano, isso se traduz em um avanço drástico da estiagem, com marcas térmicas que devem superar facilmente os 35°C na maioria dos municípios.
O cientista ambiental da Universidade Federal do Acre (Ufac), Irving Foster Brown, explica que os sinais do superaquecimento atmosférico na região central do oceano já são claros. Segundo o especialista, o principal impacto para a população será sentido na pele com ondas de calor severas e picos anormais de temperatura elevada, com efeitos severos a partir de setembro.
Fantasma da seca histórica de 2024 preocupa autoridades
A preocupação de especialistas e órgãos de Defesa Civil baseia-se nos danos ainda recentes deixados pelo último ciclo do fenômeno. Em 2024, sob o impacto do El Niño anterior — que já havia quebrado um recorde de sete décadas —, o Rio Acre atingiu a menor cota histórica de sua história no dia 21 de setembro, minguando para apenas 1,23 metro na capital.
A escassez extrema de chuvas provocou o isolamento de comunidades ribeirinhas, desabastecimento de água potável, alta mortalidade de peixes e perdas severas na produção agrícola local. Diante dos novos indicativos de que o cenário deste ano será ainda mais agressivo, pesquisadores reforçam a necessidade imediata de planos de contingência voltados à segurança hídrica e ao combate a queimadas.
Outro ponto crítico destacado pelos especialistas é o risco iminente de incêndios florestais. Em anos de “Mega El Niño”, como o registrado em 2016, o Acre viu mais de 30 mil hectares de floresta nativa serem consumidos pelo fogo. A recomendação atual é que a população e produtores rurais redobrem os cuidados, evitando o uso do fogo para limpeza de terrenos, já que a combinação de vento forte, baixa umidade e calor extremo transforma faíscas em grandes desastres ambientais.
Fonte de informações: G1 AC











